2015: o Meio Digital (quase) por Inteiro

ApresentaçãoDiogo Bernardo SCP

Licenciado em Relações Públicas e Comunicação Empresarial pela Escola Superior de Comunicação Social, começou por trabalhar na ALICE, agência digital do YoungNetwork Group, para mais tarde se assumir como um dos responsáveis pela comunicação digital do Sporting Clube de Portugal.

 

2015: O MEIO DIGITAL (QUASE) POR INTEIRO

Acredito que Janeiro é, para muitos, um dos meses mais entusiasmantes do ano. Ginásios que se enchem de novos atletas, livros com pó finalmente lidos, dietas adiadas que são, por fim, implementadas. Janeiro é o mês que nos diz que “este ano é que é”. Mas, como todos sabemos, muitas vezes acaba por não ser. O que me leva a crer que grande parte das previsões feitas para o decorrer desse ano acabam por ser um misto de premonições e desejos.

No Meio Digital acontece o mesmo. Não há ano em que os aficionados deste Mundo não desejem que o Meio se tome por Inteiro. Mas não é assim que funciona, especialmente em Portugal. Como o ginásio que fica muito caro, o livro para o qual não há tempo e a dieta que é esquecida, as previsões (e as expetativas) para o Meio Digital têm de ser feitas levando em conta diversas contingências.

Em jeito de conclusão antecipada, a minha previsão para o Mundo Digital em 2015 em Portugal é de que vai evoluir menos do que o que poderia evoluir. Como uma jovem promessa que sai dos juniores mas que não está totalmente pronta para ‘dar o salto’ e ficará, assim, aquém do seu potencial. E esta “meia evolução” divide-se por várias plataformas:

Facebook

Já são poucos os Clubes Portugueses que não estão presentes no ‘livro das caras’. Dos grandes aos pequenos, da Primeira Liga ao Campeonato Nacional de Séniores, a rede horizontal continuará a ser um “must” em 2015.

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Cada vez mais Clubes pequenos fazem um bom uso do Facebook.

Porém, dada essa presença ser já tão comum, muitos Clubes vão alastrar a sua presença para outras plataformas digitais antes de tirarem todo o sumo que podem tirar do Facebook. Falta estratégia, falta coerência, falta interação a muitos Clubes no Facebook. Já faltava em 2013, faltou em 2014 e continuará a faltar em 2015.

 

Twitter

Depois de completamente assumido pelos Clubes grandes, também os mais pequenos deverão começar a aderir e a perceber cada vez mais como fazer uso das suas potencialidades. O público português precisa de perceber que o Twitter não é um Facebook II e para tal é preciso que lhe seja dado conteúdo diferente e adaptado a esta plataforma.

A interação entre os jogadores e os Clubes deverá ser cada vez maior – afinal, “é disso que o povo gosta” –, mas sempre de forma ponderada e com riscos minimamente controlados. Também marcas e figuras públicas deverão ser trazidas para a esfera pública do Clube nesta rede social de acesso fácil e rápido, numa win-win situation.

Em jeito de desejo, adoraria que se evoluísse para uma mente mais aberta em que Clubes trocam ‘galhardetes’ e pequenas picardias entre si, sempre numa ótica de rivalidade saudável, mas sabemos que Portugal ainda não está preparado para isso – pelo menos entre os “três grandes”. Tal prática poderá ser aproveitada para jogos internacionais ou pelos Clubes mais pequenos e com menos riscos comunicacionais. Certo é que 2015 trará uma maior aposta e conhecimento da plataforma, um melhor aproveitamento da sua fácil ligação aos adeptos e novas iniciativas e passatempos para o seu crescimento.

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Instagram

Há sempre muito para mostrar e inovar nesta plataforma, pelo que deverá continuar a crescer entre os Clubes portugueses. Os que não estão presentes deverão começar a estar. Os adeptos querem ver tudo o que a Comunicação Social não lhes mostra e o Instagram é um meio muito bom para esse fim.

 

Vine

Os vídeos de curta duração que fazem furor pelo Mundo dificilmente serão aproveitados em Portugal. Nada me daria mais prazer que ter um vídeo de sete segundos de um golo da nossa equipa filmado perto da baliza, mas para tal são precisas autorizações, papeladas e… um colete de fotógrafo. No entanto, 2015 pode ser o ano em que o Vine dá um pequeno ar de sua graça nos Clubes portugueses, com vídeos de lances do jogo, equipas a sair do balneário em direção ao campo, treinos e outros momentos a que só o Clube tem acesso e que para os fãs vale ouro.

 

Snapchat

“Este ano é que é!”. Estou-me a repetir, mas tenho a convicção de que é este ano que o Snapchat começará a ser usado por Clubes portugueses. A rede social que veio para ficar, mais tarde ou mais cedo será uma tendência para quem tem tanto para mostrar.

É bom ler no site oficial do Clube que houve um treino de manhã em que o avançado fez um golo de bicicleta – uma curiosidade com relevância para os fãs de Futebol. Mas é muito melhor para um adepto estar em casa, na escola ou no emprego e receber um ‘Snap’ do golo do avançado, acabado de marcar no treino do seu Clube.

 

O Snapchat diz: “estou contigo, agora”. E é essa a mensagem que os Clubes devem passar aos seus fãs. Que estão com eles. Ali, naquele preciso momento. Os adeptos deverão ter informação privilegiada do seu Clube, pois se o acompanharem somente pela Comunicação Social, terão acesso à mesma informação que os adeptos rivais. E só os Clubes podem fornecer este tipo de conteúdo, escolhendo os melhores canais (e a melhor estratégia) para o fazer.

Entre desejos e previsões, é isso que espero para 2015: uma aproximação entre Clubes e adeptos. Mas não totalmente. Afinal, o caminho é longo e em Portugal caminha-se particularmente devagar. Lá chegaremos. E estaremos cada vez mais próximos enquanto nós, apaixonados por Social Media, quisermos o Meio Digital por Inteiro.

Por: Diogo Bernardo